Home Data de criação : 08/06/29 Última atualização : 11/10/17 13:29 / 17 Artigos publicados

Pequeno milagre...  (O que se passa nesta cabecinha...) escrito em sábado 05 setembro 2009 22:28

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Um dia de Halloween  (O que se passa nesta cabecinha...) escrito em segunda 03 novembro 2008 01:08

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                Sempre gostei de dias das bruxas, mas desta vez não deu para eu aproveitar como queria. Torci o dedão do pé esquerdo no início da semana no trabalho. E por causa disso, fui obrigada a ficar em casa, com a perna imobilizada do joelho para baixo (sinceramente não entendo! Se o problema é no dedão, o que o restante da minha perna tem haver com isso?). Mas em clima de dia das bruxas e envolvida pelo tédio de três dias sem ter o que fazer, decidi enfrentar os meus medos. E me propus um desafio:  passar um dia inteiro, apenas um dia, somente com a companhia da programação das tvs abertas.

Comecei com a Ana Maria Braga, que com aqueles cortes de cabelo mais parece uma duende. O Mais Você, da Rede Globo, que antigamente era um simples programa de receitas e artesanato, agora é uma miscelânea de quadros sem muito sentido, como se tivessem a atirar para todos os lados atrás da audiência, com direito a um reality show maluco de culinária e os principais desastres do Brasil (desastres, pois o jornalismo se resume a basicamente isso quando faz entradas no Mais Você).

Com o poder do controle remoto em minhas mãos, zapiei os canais em busca de  outro programa, com a esperança de ser melhor. E parei no Hoje em Dia, da Record, que para entrar no clima de Halloween vou chama-lo de família Addams Brasileira, com a Ana Hickmann como Mortícia, o Edu Guedes como Sr. Addams, a Chris Flores como Wandinha e o Britto Jr. no papel do Tio Chico.

Eu acho que são muitos apresentadores para poucos quadros, e ainda tem entradas de âncoras do jornalismo. Não nego que isso dá uma certa dinâmica, mas sempre tem dois apresentadores que ficam perdidos no quadro. O programa em si também é uma miscelânea de coisas: fofoca com culinária, jornalismo, moda e umas provas chatas que exigem a participação do telespectador em casa. Aliás, está aí algo que eu nunca entendi. Quando era jovem, tentei várias vezes participar em casa, por telefone, desses programas e nunca consegui. Isso já me irritava. O pior é que a grande maioria que “consegue” (coloquei entre aspas pois acho que muitas vezes é armação), entra ao vivo para falar bobagens e dar as piores respostas possíveis. O que é frustrante! Confesso que depois de um certo tempo, perdi a paciência com o programa e voltei a buscar outros atrativos nas tvs abertas.

Na Redetv, fiquei pouco tempo. Eu não entendo, principalmente sendo jornalista, como é possível você fazer o trabalho em cima do que já foi feito pelos outros. E o programa matinal da bruxinha Olga Bongiovanni é basicamente isso. Ela tira do caldeirão tudo o que saiu nas revistas (ora, quem quiser que compre, né?!), passa imagens congeladas captadas da internet de cenas da Globo e fica comentando as fofocas chatas sobre a vida dos artistas. E cá entre nós, é difícil uma celebridade brasileira se meter em algo que realmente seja interessante de ficar sabendo. De novo me sentindo a dona do mundo, mudei de canal.

Foi aí que realmente que comecei a ver o terror da programação brasileira matinal. Deveria ser proibido passar o que eu vi na tv em um curto espaço de tempo. Acho muito pior do que cenas de sexo explícito! Vi cenas de exorcismo e charlatanismo descarado. É impressionante! Quase todos os canais abertos exibem cultos, seitas, missas e afins. Tem uns que faltam pouco para se transformarem em um verdadeiro circo: tem palco (o altar), cobram ingresso (o dízimo), tem mágico (o pastor fazedor de milagres) e tem palhaço (infelizmente os fiéis enganados). E ainda tem aqueles que querem ser uma espécie de talk show, na qual o pastor/entrevistador conversa com o fiel/entrevistado. Quero deixar claro que não estou aqui para questionar ou me queixar de nenhuma religião. Acho a fé fundamental para a vida. Mas tudo tem um limite! Quando a intenção deixa de ser fazer o bem e se transforma em capitalismo selvagem, já não encaro mais o ato como religioso.

Imaginem a cena: em um cenário elegante, com direito a tv de plasma, poltronas luxuosas e revestimento de madeira, uma mulher gorda, loira, já de meia idade, sentada vestida de branco. Em frente a ela, de pé, um homem com calça social escura (acho que preta) e blusa social branca. O assunto: o passado da entrevistada. A mulher diz que já foi dona de uma “casa de encosto” (terreiro de macumba) e que fazia vários trabalhos maléficos com os “encostos” que servia (os guias de macumba). Pra mim, quem diz que já fez encosto, quer estar mesmo é encostado em algo. É muito fácil você colocar todos os seus problemas e medo em uma terceira pessoa, sem querer arcar com as conseqüências dos atos. É realmente muito cômodo!

Mas o pior estava por vir! Neste castelo de horrores, falta o mais sedutor dos monstros: o vampiro. Aquele que suga a sua inteligência, seus pensamentos e o leva para o habitat dele. E ainda consegue mexer com sua cabeça de tal jeito que faz de você parte do projeto, te deixa cheio de sede por sangue, a fim de convencer novas vítimas a levarem a mordida. Pois vocês sabem, na lenda primária do vampiro, ele sempre tem que ser convidado, ou seja, ele só entra onde é querido.

O telefone tocou e o Conde Drácula atendeu a ligação. Do outro lado da linha, a vítima, ou pior, as vítimas. Uma mãe desesperada conta que está assustada com o baixo rendimento do filho na escola, o menino troca as letras, tem dificuldade de leitura, de memorizar o que a professora ensina. A mulher queixasse também que a pobre da criança não se interessa pelo estudo e acaba por confessar que o casamento está a um passo de se desfazer. Por último, a vítima abre as portas da alma, convida o vampiro a atacar e diz que achou um lenço vermelho em frente a casa onde mora. Logo em seguida, indaga: “Não poderia ser isso um trabalho para encosto?”. Prato cheio! Era possível ver os olhos sedentos por sangue novo! A encostada mãe dos encostos responde de prontidão: “Claro! Existe o trabalho do lenço vermelho!” e começa a falar várias outras abóboras.

No dia das bruxas, nesta hora, meu sentimento foi de raiva, muita raiva. Depois de pena. O que eu acho pior ainda. Fiquei com pena da mãe, da encostada, do vampiro sedento, e principalmente, da criança. Coitada! Ela pode ter dislexia, algum tipo de retardamento mental, ou até mesmo uma péssima professora. Enfim, um menino que está no meio do furacão do divórcio dos pais, com dificuldades de aprendizado e agora ainda acha que está enfeitiçado. Enquanto ele não melhorar, está fadado a se sentir culpado, até que uma boa alma consiga levar o auxílio que este pequeno brasileiro merece.

Depois desta cena, me dei por vencida do meu próprio desafio. Me senti impune, refém do que se transformou a mídia brasileira. E fiquei pensando nas centenas de pessoas que não tem tv à cabo e passam por esta sexta-feira 13 todos os dias em casa. Não é a toa que com o tempo todos ficam abitolados. Nenhum dos programas te leva a pensar, a questionar. Nenhum explica ou tenta explicar o que está se passando no nosso mundo hoje. Nenhum tenta acrescentar algo de produtivo na vida de quem assiste.

Eu, que tenho ainda o poder de questionamento e do controle remoto, desliguei a máquina de horrores, fechei as portas do castelo fantasma e troquei tudo por um bom livro. E mais tarde, pelo computador. Não venci a minha própria prova, mas consegui sair vitoriosa. Pelo menos por enquanto...

 

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Filosofia do Povão  (Quanta besteira...) escrito em sábado 25 outubro 2008 15:54

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Nossa... Como o tempo passou rápido!  (O que se passa nesta cabecinha...) escrito em sábado 25 outubro 2008 15:54

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  Esta semana, eu renovei o meu contrato de expectativa de vida mais uma vez. E a duração dele é de um ano. Pois é assim, toda vez que fazemos aniversário. Além de ficarmos mais velhos, renovamos nossas esperanças, planos, sonhos... E depois dos 20, também começamos a analisar como a vida está: o que fizemos de erro, de certo e o que poderíamos ter feito melhor.

Fiz 29 anos no último domingo. Nossa... Como o tempo passou rápido! Parece que foi ontem que fiz 15! Tive uma festa com a toda a pompa e tradição. Com direito a dois vestidos (um deles branco), valsa com todos os tios e padrinho. Também homenageei minhas tias com flores. E para minha mãe, meu pai e minha avó, escrevi textos especiais inspirados no coração.

Sinceramente, não me arrependo de nenhuma dessas caretices e até dou força para toda a jovem que queira fazer uma festa de 15 anos. Foi o meu momento e a minha chance de homenagear pessoas muito queridas, algumas ainda a tempo de estarem vivas.

Depois desta parte, meu cerimonial ainda teve a dança com os 14 casais (em ritmo de rock dos anos 60) e a minha “falsa” com o “príncipe”, que na verdade era o meu primo, ao som de “I Have the time of my Life”, do filme Dirty Dance.

Emquanto escrevo esse texto, várias recordações daquela noite me vem à mente: a beleza dos meus dois vestidos (que foram feitos com carinho por uma tia minha), os convidados, o buffet, o bolo (tinha uma bonequinha japonesa em cima, linda!), o trabalho que meus pais tiveram para fazer todos os enfeites da festa e arrumação do salão, a felicidade estampada no rosto de minha falecida e amada avó (como ela estava bonita!), meu irmão com cinco anos todo arrumadinho, de terno (lá pro meio da festa ele caiu dentro do chafariz e minha mãe teve que ir em casa pegar outra roupa para ele), os presentes que ganhei, minhas bolinhas de catapora...

É isso mesmo! Peguei catapora uma semana antes da festa. E ninguém me convenceu a mudar o dia do evento. Fui feliz, cheia de bolinhas, com três meias calças (já que tinha feridas até na sola do pé), a tomar remédios, com febre, mas grata por realizar um sonho de menina!

Nossa... Como o tempo passou rápido! Toda essa história já tem 14 anos... Mas veja pelo lado positivo: ano que vem vou fazer 15 novamente. Tudo bem, tudo bem... 15 + 15 para ser mais exata.

E o tempo vai continuar passando... Tic tac, tic tac. Nesse relógio da vida que não pára, nem para nos dar um refresco. Pelo contrário, só acelera. Com o cuco a aparecer toda à hora e mostrar sinais a mente e principalmente ao físico. Tic tac, tic tac, cuco, cuco…

Quem sabe daqui a alguns anos, vou ler esse texto e recordar com saudades da época em que ainda estava na casa dos 20? E dizer de novo uma frase antiga, que quanto mais velhos ficamos, mais a repetimos: nossa... Como o tempo passou rápido!

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O que está acontecendo com a mídia brasileira?  (Li e escrevi) escrito em sábado 25 outubro 2008 15:54

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Foi um verdadeiro circo dos horrores! Não só o crime em si, mas a cobertura da imprensa brasileira. O caso Eloá, para mim, vai ficar registrado pelo seqüestro de 100 horas, pela incompetência da polícia (que durante todas essas horas não foi capaz de pensar em um plano eficiente), pela coragem de Nayara (que voltou a ficar ao lado do bandido para tentar salvar Eloá), pelo absurdo de a terem deixado voltar, pela morte de uma jovem inocente e pela cobertura totalmente circense da imprensa brasileira no caso. Digo circense por que para mim tudo não passou de uma grande palhaçada. Foi um total sensacionalismo, que se estende até hoje, uma semana após a trágica morte de Eloá Cristina Pimentel.

Eu comecei a sentir vergonha da cobertura da imprensa no caso, quando vi, em quase todas as emissoras televisivas, áudio-tapes, entradas por telefone (em alguns casos ao vivo) do criminoso Lindemberg, enquanto mantinha as adolescentes como reféns. Além de horrível escolha, será que ninguém parou para pensar no quanto anti-ético isso era? Será que ninguém imaginou que o fato de um maluco criminoso dar entrevista ia aumentar a vontade de continuar fazendo o mal que praticava?

Foi um circo. Um verdadeiro picadeiro montado em Santo André. Com os locutores a tentar domar o jogador de facas, que queria atingir as vítimas. E vários palhaços a “exaltar” o público que acompanhava o espetáculo.

Como se não bastasse isso, o enterro da menina também foi transmitido ao vivo por diversas emissoras, inclusive a Globo, que mostrou as imagens durante o programa da Ana Maria Braga, com comentários da antiga apresentadora de receitas de fundo.

Senti vergonha! Sinto vergonha! Não foi para esse tipo de jornalismo que eu estudei. A mídia é muito importante para toda a sociedade e em diversas situações, mas como colaboradora, sempre para acrescentar. E jamais como uma inconseqüente desvairada à procura de audiência.

A mídia brasileira que já conseguiu inflar um povo a lutar contra a ditadura, a pedir o impeachment de um presidente, a ensinar a população a vencer doenças e epidemias, agora parece inflar os sentimentos negativos de um criminoso. A dar vez aos comentários insalubres de um assassino, a estimular os crimes que já cercam por demais a nossa sociedade.

Espero que este caso sirva de lição para todos nós. Em todos os sentidos.

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